
De uns dias pra cá ela se pegou pensamendo novamente. Dessa vez, pensou em viver tudo aquilo que não havia vivido.
"A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos"



Logo cedo acordei com minha filhinha querida, brinquei com ela, amamentei a e me troquei para ir fazer exame de sangue. Depois vim à casa da minha mãe visitá-la, checar meus e-mails e navegar um pouco na internet, já que meu computador está quebrado. Então lembrei que havia baixado algumas músicas e me precavi trazendo o meu tão útil mp4 para armazená-las. Na minha pasta reencontrei algumas das minhas bandas preferidas e o finado músico Elliot Smith, que estou ouvindo agora.
O som dele tem um tom de folk, por ele tocar violão e ter uma voz melódica e calma. Ele participou na trilha sonora do filme Gênio Indomável. Foi indicado ao Oscar em 97 com a música Miss Misery e até se apresentou na cerimônia. Apesar dele não ter ganhado o prêmio, sua canção é bem melhor e menos enjoativa do que My Heart Will go on de Celine Dion, sua concorrente na noite a estatueta.
Outra curiosidade é que ele morreu em 2003 depois de ter discutido com a namorada. Ela alega que durante a briga se trancou no banheiro e quando saiu encontrou com corpo do então falecido com duas facadas. O estranho é que ela tirou a arma do peito dele, o que deixou suas impressões digitais. Aí tem coisa!
Enfim, vou deixar uma letra de música que me chamou atenção no CD New Moon:
“I'd say you make a perfect angel in the snow
All crushed out on the way you are
Better stop before it goes too far
Don't you know that i love you
Sometimes i feel like only a cold still life
That fell down here to lay beside you
Don't you know that i love you
Sometimes i feel like only a cold still life
Only a frozen still life
That fell down here to lay beside you”
(Angel in the snow – Elliot Smith)


Havia uma garota que toda manhã ia ao seu jardim contemplar as cores e sentir o perfume das flores. Sempre que ela sentava no banco e olhava para os passarinhos fazendo ninho nas árvores ela ouvia uma doce melodia. Apesar de nunca ter sabido de onde vinha aquele som, a menina acompanhava cada nota. E isso a fazia mais feliz. A melodia era de uma flauta que tocava a música dos apaixonados.
Por trás do muro da moça havia um rapaz solitário. A cada amanhecer ele subia para a sala do andar de cima de sua casa e tocava sua canção preferida. Todas as manhãs o moço admirava aquela bela flor pela janela. E isso deixava seu dia mais alegre.
Até que um dia, a moça não voltou a aparecer. Ela havia se mudado e deixado o jardim sem sua presença. O rapaz logo notou a sua ausência e não voltou a executar sua melodia. Aquela manhã foi sem vida para ele que não podia mais ver a sua rosa. Mas nunca iria apagar de sua mente aquele rosto tão bem desenhado.
E foi assim que dois jovens se apaixonaram em segredo.

Um dia sonhei que havia me perdido. Olhei ao meu redor e nada de estranho encontrei, todas as minhas memórias estavam ali. Era um lugar abstrato, numa mistura de tons gritantes. Eu me sentia pequena. Até que ouvi um berro que rasgou meu pensamento como uma navalha afiada. Então me encolhi, não suportava aquela sensação. A estridente voz açoitava meu tímpano, senti um nó na garganta e forte dor de cabeça. Corri muito para me livrar daquilo e cheguei a esmo numa planície escura que refletia as estrelas do céu púrpura. Bem distante pude ver uma casa de madeira rústica. Parecia muito velha e quase a despencar. Foi ali que me abriguei durante aquela noite.
Ao amanhecer percebi que não estava só, alguém me observava através da vidraça quebrada da saleta. Então gritei: - Quem está aí? Tive o silêncio como resposta e saí do cômodo para ver se descobria algo. Nada vi. Pensei comigo: “Devo sair daqui, alguém deve habitar esta casa”. Olhei para todas aquelas folhas caídas de uma árvore morta e para os buracos do telhado que faziam os raios de sol invadirem o casebre. Virei as costas e parti.
Logo ao lado havia um rio e por sorte encontrei uma canoa que me serviu de condução para tentar voltar. Subi nela e peguei a direção da correnteza. Passados cinco minutos de viagem avistei uma cachoeira e nada pude fazer. Enfrentei meu medo e desci junto com a água.
TO BE CONTINUED...

Numa noite seca e sem sinal de nuvens, eu estava em meu apartamento, no segundo andar, conversando com meu marido. Fui até a janela contemplar a vista da cidade e reparei que começava a chover, mas era uma chuva fina. Olhei atentamente para ela e percebi que não era água que caia do céu, era areia. De repente a chuva tornou-se torrencial e os grãos de areia começaram a cobrir a minha janela. Imediatamente eu fiquei em pânico achando que todo o prédio ficaria soterrado e eu não conseguiria sair dali. Então desci correndo os lances de escada, quase pulando os degraus. Mas chegando até o térreo eu vi que a tempestade havia cessado, eu pude facilmente abrir o portão do edifício e sair à rua. Mirei o céu, ele parecia uma imensidão azul escura novamente e estava repleto de estrelas.
Já aliviada, caminhei pela avenida central. Aquela parecia uma noite normal. Logo em seguida encontrei um grupo de amigos que me convidaram para sua confraternização, mas eu recusei. Voltei a minha caminhada e fui visitar minha tia Vera, fazia muito tempo que eu não a via.
Cheguei a sua casa e ela foi até a calçada para me receber. Conversamos sobre o que tinha acontecido e ela falou que não tinha reparado nada daquilo. Então eu comentei que o céu estava muito bonito e olhamos para cima. Foi quando reparamos que lá havia uma espécie de nave circulando e fazendo curvas. Ela tinha cinco luzes e se movia em zig-zag. Isso foi mais um motivo de espanto para mim. Pensei que estava vendo uma nave extraterrestre. Mas um vizinho que passava por nós comentou que ouviu na rádio que aquele era um experimento de um novo transporte, era como um ônibus aéreo. Ele nos disse que ainda estava em fase de testes e a prefeitura estava chamando voluntários para viajarem nele. Disse também onde estava sendo a partida dos vôos. Então minha tia e eu nos dirigimos para o local, estávamos curiosas com esse novo evento.
Chegando lá, uma das naves estava aterrissando e pegamos carona com ela. Minha tia passou mal com as voltas do percurso, mas eu segui empolgada. Apesar de a viagem ter sido curta.
Voltando ao chão eu perdi minha tia de vista. E fui andando até um ponto de táxi a fim de retornar para casa. Foi quando o carro do meu pai cruzou o meu caminho e ele me deu uma carona. Ao chegar de volta ao apartamento fui até a varanda e de novo olhei para o céu. Dessa vez o meu susto foi maior. Quando olhei para a lua ela parecia gigante e muito mais próxima da Terra. Mas isso não era tudo, ao seu lado eu pude ver um planeta vermelho. Logo cogitei que fosse Marte. Assustada eu gritei "pai, vem aqui ver isso!". Ele também ficou perplexo, principalmente depois que eu avistei, bem de longe, outro planeta. Era Saturno. Ele não aparecia por completo, mas eu pude ver seus anéis formarem um arco ao seu redor. Nessa hora eu senti uma energia estranha dentro de mim e minha mente ficou mais leve.
Então eu olhei para a esquerda da Lua e mais afastados vi cinco planetas alinhados em forma de uma figura geométrica. Eles surgiram nitidamente em seus formatos circulares e consegui ver até as suas cores. Havia um azul, outro roxo e os demais eram misturas de amarelo, vermelho e verde. Todos juntos formavam um losango. Era como uma constelação, mas não de estrelas e sim de planetas.
Depois de todas aquelas visões eu pude ter certeza que aquela foi a noite mais estranha de toda a minha vida. Eu senti que aquilo tudo não era normal, tinha um ar apocalíptico e que me aterrorizou a ponto de não querer dormir com medo de acordar em meio ao fim do mundo.
××××
Acabei de descrever o sonho de que tive essa manhã. Jamais havia sonhado algo tão esquisito. E me senti na obrigação de relatá-lo.


[...]
Observando de longe, custo a entender a complexidade vaga daquela mente. Corre em círculos como o vento preso num copo vazio. O eco ressona a voz aguda de uma deprimente dor de cabeça. São as horas passadas em claro, são os vestígios de uma noite sonâmbula.
Como uma estrela cadente chama um pedido, ouço um grito a me chamar. É ajuda que ele me implora. Vôo ao seu encontro e vejo uma garota perdida no escuro. Ela dizia em lamúrias que não sabia aonde ir. Era prisioneira de seu ego, forte escudo protetor. E do mundo fez uma redoma para fugir dos maus espíritos, traiçoeiros e infames.
Ela sabia que quem bem conta histórias lhe poria em pó, sua verdade destruiria. Num golpe de foice viu uma cabeça cair, não era a dela. Mas sim a de uma mulher petrificada e de olhos vendados. Em algum lugar chamavam-na de justiça, mas aqui foi conhecida como a degolada. Ela não tinha valor em meio aqueles sussurros de vozes insanas.
[...]


O que segue é um texto que escrevi em maio deste ano, fala sobre nostalgia e aquele vazio incômodo que me faz parar, pensar e escrever um pouco.
Sinto falta de uma tarde com brisa suave tocando meus cabelos e de ver as árvores balançando ao ritmo do vento. Tardes de nostalgia com um sabor doce, sinto o encanto dessa sensação voltar a minha memória. Era bom estar sozinha e observar no mar as ondas a se formarem e desfazerem. Agora tudo que tenho é um coração meio vago e triste. Que vive numa dúvida e não sabe se pode continuar. Sei que a tristeza irá me abater novamente ao me ver pensando nisso. Mas não posso fugir da realidade. Então o que fazer? Não sei, estou confusa. Por onde andar e o que seguir não sei. Me diga por que tinha que ser assim? Meus olhos não enxergaram o que era tão nítido e enganaram meus sentimentos. Entreguei minha alma e agora só posso sofrer com essa dívida que você me deixou. Talvez não quisesse que fosse assim, mas o destino transformou tudo. E aqui estou, onde você não está.
23/05/2006
Às vezes me parece que as palavras tem o poder de prever as ações, ou será que eu já sabia do que iria acontecer? Talvez, ao menos, tive um pressentimento.


