sábado, agosto 28

Acabei de compor uma música de ninar pra minha filha. Depois de todo o choro, ela se acalmou.

Eu vou cantar uma canção para Sofia
Uma canção que vai fazer raiar o dia
Que vai falar de todo meu coração
Quem sabe assim com essa bela canção
Vou espantar toda essa dor
E vou falar pro meu amor
Que vai nascer uma linda flor
No coração de quem cantar
Essa canção


Stephany Eloy

sexta-feira, agosto 27

Premonição Feelings

Não foi comentado aqui, mas eu me inscrevi em um concurso do SESC na categoria fotografia. É a II Bienal de pequenos formatos do SESC/PB. Isso foi a duas semanas e eu estava muito ansiosa pra ver se fui selecionada ou não.
Hoje aconteceu uma coisa bastante interessante. É que ontem eu teria aula de Leitura e Análise crítica de Textos no DEMID, com o professor Marcos Nicolau, que por alguma razão não compareceu mas mandou o seu filho prodígio para substituí-lo. O rapaz é Vitor Nicolau e é, realmente, um exemplo para quem quer trabalhar na área da Comunicação e Publicidade por todas as razões que ele mesmo explanou ontem em sala. Entre elas, ter se formado em duas faculdades ao mesmo tempo, junto com um estágio e uma bolsa de estudos, aos 21 anos e já ter feito mestrado e ser professor de faculdade aos 23 anos. O fato é que ele falou uma coisa que me fez refletir e tomar uma atitude em algo q eu já havia pensado desde a criação desse blog. É escrever periodicamente como um exercício prático do que eu quero fazer futuramente. Outra coisa que ele falou foi sobre pesquisar no Google o próprio nome para ver quais resultados apareceriam. Hoje em dia com tantas redes sociais é quase impossível alguém que use a internet diariamente não ter ao menos uma citação na rede.
Então hoje eu acordei pensando esse ultima ideia e fui ver o que aparecia na pesquisa do meu nome. Foi quando, no último link, depois de todos os perfis de facebook a twitter eu vi "Artistas selecionados para o concurso Pequenos formatos do SESC/PB". Eu fui selecionada com dois trabalhos e vou aguardar pelo resultado no dia da abertura da exposição. Esse já foi um grande passo. Agora é só contar com a sorte e fazer figuinha.
O curioso é que hoje à noite eu sonhei que meu colega da universidade, Giuliano Golzio que é filho do meu antigo professor de fotografia, me falava que eu tinha ficado classificada no concurso em segundo lugar. Ele não tem muita relação com o concurso, mas sonho é assim mesmo, tudo misturado. Eu vi isso como um tipo de premonição, pois logo que acordei e olhei no Google fiquei sabendo da seleção. E essa notícia me deu um estímulo a mais para continuar produzindo e acreditando no meu trabalho. Agora vou torcer para ficar classificada. O resultado sai dia 26 de setembro.

terça-feira, agosto 3

Parte I

Eu posso dizer que esse é o exato momento em que eu decido escrever um livro. A idéia já vinha na mente a alguns anos, mas nunca foi posta em prática. A impressão de incapacidade e de superficialidade não me deixava levar essa vontade a diante. Mas chega uma hora em que o grito precisa sair da garganta depois de ser evitado por tantos suspiros. É nesse instante que não se pode mais calar a alma que a palavra sincera se desloca boca a fora depois de muitos consentimentos.

Sempre fui vítima das ocasiões, deixava a correnteza do rio me levar e poucas vezes tentei relutar contra ela. Havia algo que me impedia de agir, alguma força oculta que eu nunca descobri do que se tratava. O fato é que eu não compactuava com a mera necessidade instintiva de perpetuação da espécie que observava no comportamento da maioria das pessoas que eu conhecia. Em especial uma pessoa, o homem com quem eu estava me envolvendo. Mas felizmente, ao decorrer da minha vida eu aprendi a desconfiar da veracidade dos principais pilares que erguem e estruturam a sociedade em que o ser humano se habituou a fazer parte. Um desses pilares chama-se amor. Observei por experiência própria e por estudos que esse sentimento forjado, que proporciona bem-estar momentâneo às pessoas tornou-as escravas de suas próprias ações e expectativas. Essa é uma das engrenagens do sistema econômico, movido pelo superfaturamento e pelo lucro, chamado capitalismo. As pessoas não são vistas como indivíduos, mas como um aglomerado que quer ter seus anseios, tais como o amor, satisfeitos. É aí que ele entra como finalidade para uma vida feliz e a partir desse ponto são criados produtos que deverão envolver um determinado público visando suprir a carência desenvolvida pela ideia de amor.

O fato é que eu estava me relacionando com um rapaz, que logo no nosso primeiro encontro havia falado em casamento. Eu não concordei, mas fingi aceitar para não quebrar o clima. Mesmo assim sempre o alertava para a necessidade de planejamento que tal decisão requeria. Com o passar dos dias a disparidade de temperamento e concepções foi afastando-nos. O que antes fora uma paixão movida por atração física, agora já não significava mais nada pra mim. Foi então que eu coloquei um ponto final na situação e terminei o namoro. Por sabedoria, eu resisti aos desejos da libido e não entreguei o que eu sempre suspeitei que fosse o que ele mais almejava. Raridade nos tempos de hoje, nós ficamos juntos por 2 meses apenas com beijos e abraços.
Acontece que, para o azar dele, eu já havia despertado para o mundo a alguns anos quando tive a ilusão que mais se aproximou do tão idealizado amor. E foi justamente nessa primeira ocasião que eu passei a enxergar o quão falso era aquele protótipo de sentimento movido a interesses meramente físicos.

sábado, julho 24

Fula da vida

Tem certas coisas que me deixam fula da vida. Principalmente quando eu passo um bom tempo concentrada em fazer algo e do meio pro fim aquilo não sai como eu esperava. Aí está o problema, eu sempre gero expectativas altas para tudo o que vou fazer. Sempre espero que tudo saia exatamente como eu quero. Mas nada na vida é como nós queremos, não é mesmo? Falar agora é fácil.
Você pode chamar isso de coisa de filhinha de papai mimada, ou o que quiser mas é assim que eu me sinto. Esse fato ocorre não só com as coisas que faço mas com as pessoas que eu conheço. Às vezes, chega a ser neurótica a forma como eu quero tudo perfeitamente como o planejado, quando o que me falta muito é organização. Então cobro algo que nem eu mesma tenho. É aquela coisa de enxergar o mundo de uma forma diferente da realidade. Eu odeio tanto ser criticada que acabo não procurando mudar e me torno cada vez mais alvo das críticas. Tensão é meu nome. Meus músculos ao redor dos ombros estão tão duros que eu precisaria de um martelo pra desfazer esses nós. Preciso urgentemente de algo que constraste com minha realidade atual. Acho que vou fugir para uma sociedade hippie em algum lugar de Goias. Preciso esquecer desse mundo superficial que só me estressa e me cobra coisas que não posso dar. Já estou individada até a alma. E minha energia está indo por ralo abaixo. Feng Shui me ajudaria? A avó da minha filha diria "Com certeza sim!". Não é difícil de perceber que o ambiente onde eu vivo influencia muito no meu estilo de vida, ainda mas eu sendo de um signo de terra. Essa coisa toda acaba dizendo muito do que somos e o que vamos fazer. Já passei muito tempo achando que tudo isso não passava de baboseira. Mas agora, juntando as peças, eu vejo que faz sentido. Afinal, nunca saberemos desvendar nem 0,0001% dos mistérios desse universo.

quarta-feira, julho 21

Uma breve reflexão

Tenho me sentido um pouco angustiada, não sei o porquê. Talvez por uma série de fatores. Tenho tido uma certa preguiça de existir, de correr atrás. E tenho dormido muito pela manhã. Eu dormi no ponto. Deixei o tempo passar. Mas continuo aqui com esse mesmo espírito. Agora eu me pergunto: por que não ir à praia e tomar um banho de mar? Se for urucubaca, o sal e a água espantam tudo de uma vez. A monotonia e a falta de movimento me causam isso. Como eu já sou assim, parada, não posso ter alguém me cobrando reações, o que pra mim já é muito difícil. Eu sou o tipo de pessoa que de repente se cala ao ouvir algo que discorda. Não posso suportar certas cobranças, porque eu já me cobro demais.
Eu estava aqui, pensando em algo para fazer e com essas inquietações na mente. Então resolvi seguir o conselho de uma amiga recente, mas que “quem vê pensa que se conhecem a anos”. Entre aspas por que essas foram as palavras, num tom talvez ciumento, do meu namorado depois de me ver cumprimentando-a num encontro casual. É inevitável a vontade de abraçar pessoas que pensam da mesma forma que eu e que tem a alma similar a minha. E tal amiga uma vez me falou: “Nunca deixe de escrever!”. E eu nessa agonia de pensamentos, procurando me achar, relembrei que essa é a única maneira que eu tenho de desabafar.
Vejo os dias passando e poucas coisas acontecendo comigo. Acho que cansei desse marasmo, dessa falta do que fazer e dessa mesmice. Tenho certeza que a ansiedade por algo novo, que se expressa na vontade de voltar logo a estudar, agrava esse meu sentimento. Pra piorar meu mal estar psíquico, tive um torcicolo a dois dias. Nesse caso, a limitação física também compromete a limitação mental. Ainda mais quando a lesão é próxima a cabeça. Tenho impressão que não consigo raciocinar perfeitamente, não movimentando- me livremente. É tudo uma tensão, uma pressão, uma cobrança que culmina na explosão de nós musculares que ser humano nenhum agüentaria sem uma sessão de uma hora de ioga por dia. O problema é que me falta essa sessão terapêutica. Mas o que não me falta é sono mal dormido de madrugada, uma criança mal criada que me acorda no mínimo 2 vezes no meio da noite aos berros, uma péssima posição para dormir dividindo uma cama de solteiro com essa minha adorável filha e um travesseiro alto.
Todo o problema físico passa a ter uma ligação quase metafórica ao que vem a acontecer no psicológico. Esse estilo de vida errado, sem uma prática saudável, tanto física quanto mental, tem que acabar para o meu pleno bem estar. E é com essa conclusão que eu findo mais uma reflexão com a certeza da eficácia desse método de auto-conhecimento que se chama escrever. E agradeço a minha nova amiga, Elis, que me abriu os olhos e me relembrou essa tão eficaz terapia.

terça-feira, julho 13

Efêmero

Sentimento de brevidade, de fragilidade. Passo o dia com a sensação de que o tempo é curto. Olho o relógio. Os segundos seguem tenentes. Se não entendes o que eu digo, por que eu vou te dizer? A simplicidade da ignorância e do comodismo tirou o teu brilho que antes era só fachada. Mas quem sou eu para dizer isso se por trás dessa casca palpitam mil inquietações? Passei a ser esquizofrênica por desmerecimento. Foi falta de reconhecimento, indiferença e menosprezo. Afinal, só ganha a vida quem serve o público. Quem quebra a cara e mata um leão por dia em busca do seu lugar ao Sol não é gente descente. Assim falou o blá-blá-blá progenitor, que se eu não escutasse diariamente não estaria aqui com esta caneta e papel a punhos. Acontece que surtiu efeito contrário, me motivou as avessas. Logo eu que sempre gostei de não me fazer esclarecedora, jogando deveras nas entrelinhas subconscientes. Sobretudo em uma noite sem sono. Sei que essa escrita não é minha e nem de pessoa alguma. Mas vale registrar a perturbação ansiosa do marasmo contínuo. Talvez saudades, talvez falta de afeto, ou até mesmo carência. Agora sinto inveja dos olhares libidinosos daquela gente sem estudo. Eles não se perdem no horizonte e não questionam sua própria existência. Não são fadados a saberem que tudo é tão frágil como as asas de uma borboleta.

Stephany E. Araújo 13/07/2010 (1:00 AM)

segunda-feira, março 15

Lomo espera

De fato, hoje eu acordei num dia levemente nublado. Fui ao terraço da minha casa e o vento produzia um frescor gostoso. O sol já estava no céu, mas encondido atrás de finas nuvens. Eles formavam uma imagem de um dourado fabuloso. Eu imaginei como deveria estar aquela cena vista da praia. Pensei em dar um pulinho por lá com Sofia, mas as obrigações do dia-a-dia me fizeram desistir do passeio. Claro que também pensei logo em fazer algumas fotos (meus vícios sempre me sobem à cabeça nessas horas). Mas deixei esses planos pra outro dia. Talvez porque eu não esteja tendo muita sorte com fotografia nos últimos tempos.
Acontece que eu comprei uma câmera lomo, a qual esperei ansiosamente chegar da China por um mês e meio. Essa maquina é uma Holga 120 cfn e ela, normalmente, só trabalha com filmes em 120mm. Mas, com alguns truques, é possível fazer uma adaptação para 135mm. Foi o que eu fiz com dois rolos. Num deles eu usei a técnica de redscale, que consiste em colocar o filme invertido (de cabeça pra baixo, ou seja, com o lado que normalmente é exposto a luz virado para frente) na camera. Assim que terminei de fazer as fotos, fui correndo deixar os negativos no único laboratório da cidade que revela e scaneia fotos em 120mm. Mas, por ironia do destino, a máquina de scanear da loja havia queimado devido as baixas de energia que estavam acontecendo com frequência. A moça me disse que estava esperando um técnico chegar de Natal e ele avaliaria o problema da scanner.
Eu ligava praticamente todos os dias pra loja pra saber se aquela bendita máquina já estava pronta, mas fiquei sabendo que era preciso mudar uma peça e esta ainda estava a caminho, vindo de São Paulo. Pra completar a situação, faz três dias que eu tento ligar pra esse laboratório e ninguém atende, mas a moça da outra filial me informou que a scanner ainda não foi consertada. Eu fico me perguntando "Será que essa peste nunca vai ter conserto e eu nunca vou conseguir digitalizar minhas fotos?". Haja paciência!
Ainda bem que eu já estou trabalhando e vou ter um passa-tempo pra parar de pensar um pouco nisso. Mas amanhã volto a ligar!

domingo, março 14

Águas de março

Onde estão as águas de março, São Pedro? Parece que o senhor resolveu castigar minha terra Paraíba com esse calor escaldante. O Sol queima minha pele às 6 horas da manhã na ida ao trabalho. À tarde é pior, parece que estou fazendo um estágio para ir pro inferno. Com tanta exposição, os sinais aumentam cada vez mais no meu corpo e a melanina grita em vermelhidão. Haja filtro solar!
João Pessoa é a cidade onde o Sol nasce primeiro e, pelo visto, o câncer de pele também. Eu já tenho a carga genética desse mal e parece que a natureza não quer mudar o rumo da prosa.
Quando as nuvens deixarem a timidez de lado e as águas finalmente chegarem pra nos dar um alívio, embora não dilúvio, espero que durem para além maio. Vou passar meu aniversário tomando banho de chuva. Eu quero ver essas águas inaugurarem as recém-calçadas ruas do meu tão querido bairro Bessa. Quero ver a lama limpa, antes barrenta, escorrer pelas bocas de lobo e formar possinhas na minha calçada. E os arco-íris? Quero ver vários a colorir nosso céu.
Só peço que não mandem muitos raios e trovões. Eles me dão aflição. Por vezes, tenho a sensação de que o céu vai desabar. E nunca descarto a possibilidade de um raio cair justo na minha casa. Mas é assim mesmo, todas as coisas boas tem os seus revezes. A moeda carrega em si a cara e a coroa, que são opostas, mas se complementam.
E hoje vou dormir esperando acordar num dia, ao menos, nublado.

segunda-feira, março 8

lomo regret

Um traço na mão, um brilho no olhar. Uma luz na cidade baixa, uma estrela na escuridão.
Uma voz aveludada, um sorriso disfarçado. Um abraço caloroso e duas mãos se despedem ao longe. O tempo não passa e a distância aumenta. As memórias se apagam e a noite continua, embalada pela solidão.
O filme foi revelado. O negativo ficou muito claro, onde antes era escuro. A imagem não vem à mente, está difícil resgatar. Ficou certo que era só uma ilusão.
Faltou uma peça do quebra-cabeças, que não se enquadra na digitalização. E escapa na foto lomográfica de uma recordação.

quarta-feira, fevereiro 24

Olhos dissimulados

Tu já tens um amor? E o que eu senti por ti, tudo o que eu sonhei para nós dois e todos meus planos pueris? Como ficam? Como posso caminhar pela praia, sentindo o mar nos meus pés e suspirar se já tens um amor? Como posso sair à noite a tua procura na esperança de um encontro casual se já amas outro alguém? Vou suportar viver assim, sabendo que minhas ilusões não serão correspondidas? Porque tu não me olhas nos olhos e só acenas de longe? Teu amor estava ali?
Me entristece ver que o sentimento alheio já não tem mais importância. Eu sei que você percebeu que eu estava na sua. Mas porque fugiu? Esperava que eu dissesse com todas as palavras o que me tirava o sono pra, só então, dizer que já amava outra? Você ao menos poderia disfarçar. Acabou ficando feio te ver assim, fugido.
Mas, no final das contas, acho que acabo sendo eu a maior culpada. Por me apegar a pequenos detalhes, a carícias falsas, a sorrisos cínicos e a olhares maliciosos. O que posso fazer se me atraio pelos caras errados, que alimentam sentimentos, que ocultam suas verdades e depois somem se escondendo?
Será que minha imaginação sonhadora vai achar um jeito de pensar que você não queria ficar na minha presença estando com seu verdadeiro amor e assim, me fazendo sofrer? Se houver tal possibilidade já aviso que não vou cair nessa. Certas experiências são construtivas e nos ajudam a crescer. Agora já vejo as coisas de outro modo. Não me apegarei a casualidades sem futuro. Não sofrerei em não olhar mais em certos olhos dissimulados. E não me ocuparei mais em fantasiar situações ilusórias.

Um tranquilizante natural

Ontem eu dormi olhando um céu estrelado de fevereiro que guardei na minha memória. Quando passei pela rua, à noite, tive uma visão maravilhosa que não pude esquecer e a levei para meus sonhos. A lua produzia um brilho amarelo ao seu redor que clareava as nuvens e a constelação de Orion estava perfeitamente visível. Procurei por um touro feito de estrelas, mas tudo que pude ver foram dois peixes. Já era a época deles e estavam ali marcando presença. Essa atmosfera me inspirou um sono profundo de criança. Ao amanhecer, acordei cantando com Sofia ao meu lado. Não lembro a melodia que inventei na hora, mas foi algo espontâneo.
Sempre gostei de tirar um pouco os pés do chão, de sair da minha natureza terrena de taurina. Afinal, tenho preferência por meu ascendente pisciano. Com um pé na terra e outro no mar, por vezes me confundo em meio a minha dualidade astral. A leveza dos peixinhos sempre me encantou e eles sempre nadaram ao meu redor. Um dia quero incorporar esse tipo de personalidade pra mim.
O oceano onde nadam esses peixes espertos me atrai e, de uma forma inexplicável, lá eu me sinto em casa. Gosto de flutuar nas águas mansas do mar, deixar a correnteza me levar e sentir o peso energético do meu corpo escapar. Ao sair da água salgada, me sinto nova e mais limpa. Desde criança fui criada nesse ambiente e a praia é o lugar onde eu me encontro ou me escondo quando preciso. Não há nada mais tranqüilizante do que dormir numa rede ouvindo o som das ondas. Um dia eu tive isso e aproveitei com plenitude, mas hoje já não tenho. E como sinto falta! Sempre soube que nasci para estar ali no mar, na areia da praia, sob a lua cheia. Não existe lugar mais perfeito para aliviar minha alma.

terça-feira, fevereiro 16

Já faz tempo

Já faz tempo que eu me vejo assim. Olhar perdido, fixo no horizonte ou sempre buscando algo por onde caminho. Parece que algumas coisas caíram do meu caminhão de mudança na estrada. É como algo invisível, mas que abstratamente deixou um certo vazio. Não me falta parte nenhuma do corpo, tenho tudo que me é preciso. Mas penso que na minha mente existe um vão, que sempre me faz ficar absorta. Talvez em cada lugar em que eu tenha passado eu tenha deixado um pouco de mim. E em cada pessoa que eu conheci, ao me despedir esqueci, por querer, de pegar de volta algo que tinha emprestado. Assim quase não sobrou nada. E eu vivo tentando juntar os meus pedaços nas minhas recordações. Mas é inútil. Eles nunca voltarão a ser da mesma forma que eram antes.

Com o passar dos anos, fui percebendo que esse vazio que se estabelecia na minha mente afetiva poderia possivelmente ser preenchido novamente. Desta vez com novas sensações, novos contatos e novos conhecimentos. Fui aprendendo que a vida requer uma eterna reciclagem sentimental e que é impossível viver bem com um completo arrependimento e com o pesar da nostalgia. Só assim eu compreendi o porquê de certas dedicações tomarem um tanto da minha personalidade. Elas estavam me preparando para minhas futuras experiências.

Mesmo assim, sei que é impossível não lembrar com saudosismo de pessoas que eu deixei pra trás na minha infância, por exemplo. Ao pensar nelas eu imagino uma fotografia com tons sépia. Cada sorriso, cada abraço, cada lágrima, cada briga e cada perdão estão bem guardados na minha memória como se fossem fotocópias de lembranças. E hoje sei que não posso mais voltar atrás. Mas também carrego comigo a certeza de que, depois de muitas despedidas, esses hiatos hoje me tornam uma pessoa melhor e mais forte.

segunda-feira, fevereiro 8

A opinião do brasileiro

O número de noticiários sobre escândalos envolvendo a corrupção do poder público no Brasil é cada vez maior. O povo brasileiro está muito bem informado sobre desvios de verbas e mensalões. Em contraponto, observa-se a apatia dessa população tão lesada dos seus direitos. É raro vermos movimentos nas ruas em protesto a corrupção. Talvez isso esteja ligado a forma como a mídia lida com o repasse das informações. Habituou-se a seguir uma programação factual em que o espectador da notícia atua como mero observador, sem poder algum de modificar a realidade. O povo se sente acuado, reprimido, por um sistema desordenado, onde ninguém é punido, e simplesmente assiste aos fatos sem saber do imenso poder de protesto que tem.

Mesmo com o avanço da tecnologia e o crescimento da inclusão digital promovendo maior alcance da internet nas comunidades menos favorecidas economicamente, a televisão continua sendo o principal meio de comunicação no Brasil. E por isso ela tem grande poder como formadora de opinião. Mas o modo editorial como os telejornais informam a população brasileira faz com que esse meio torne-se apenas um passa-tempo voltado para o entretenimento. Observa-se que os principais jornais enfatizam temas como a corrupção, mas logo em seguida mudam o foco dos assuntos para coisas triviais, como futebol, ou para o cotidiano. Essa é uma forma de desviar a atenção de um tema tão importante para a população.

A grande esperança de transformação da mentalidade dos brasileiros está na forma que eles absorvem as notícias repassadas pela mídia. E o principal passo para o cidadão brasileiro ter consciência do poder de cobrar sues direitos está no entendimento da importância da sua voz como opinião pública e fator fundamental no futuro do Brasil.

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Essa foi minha redação do Enem. Nota: 850

domingo, janeiro 24

Eu vou estar lá

Eu quero achar um jeito
De te descobrir.
Eu viajo nas ondas do pensamento.
Você vai me sintonizar por lá?
Eu vou poder te achar num sonho
e conversar com você dormindo?
Falta você me responder,
porque já estou te chamando.
Fique atento, desperto!
É lá que a gente vai se ver.
Essa noite foi tudo em preto e branco.
Dizem que isso indica nostalgia.
Eu digo que é saudade.
Mas uma saudade diferente,
saudade do futuro.
Meus olhos vêem coisas
que talvez sejam inviáveis,
por um ou outro detalhe,
mas que são possivelmente reais.
Basta você dizer que sim.
É só fechar seus olhos
e abrir o canal dos sonhos.
Lá eu vou te falar
e não pense que não foi real.
Eu vou estar lá.

quinta-feira, janeiro 14

Ode aos irracionais

Aperto no peito
Sensações estranhas
A boca pede um grito
Há algo nas entranhas
Cheiro de morte
Previsão de dor
Falta de sorte
Visão do horror
Coração aberto
Perdido na esquina
O mal está perto
Mas isso fascina
O fim e o começo
Estão presentes na vida
Por isso eu esqueço
Do ponto de partida
No tudo e no nada
Em todo o universo
Está bem guardada
A chave do imerso
Oceano de espelhos partidos
Que refletem imagens
Nos olhos contidos
De seres selvagens
Que não sentem medo
E não pensam em parar
Não diferem tarde ou cedo
E não podem sonhar
Grande sorte desses animais
Que nasceram sem raciocinar
E não se perderam no cais
Da maldição de pensar.

terça-feira, dezembro 29


Um breve adeus

Longe é a distância que separa o pensar do agir. Não me importo que não estejas aqui. Pois sempre estiveste. Mesmo ao meu lado, tu não estavas ali.
Eu sei que a falta de ação gerou um abismo, não mais físico, mas um vão psíquico. Evitei, por medo, muitas situações. Boas ou ruins? Nunca saberei. Mas que na minha imaginação sempre existiram.
Que fascínio o inatingível me alcança. Do alto do céu ao chão de terra há um mistério que envolve o pensamento. Mas que nunca saberei decifrar. Não enquanto não vir o seu olhar. E espero que ele me diga algo. Mas é o meu, com olhos de bandeira, que me entregam no ar.
À essa hora tu já deves saber do que estou a falar. Outro dia nos veremos. Eu, com mais sapiência, vou parar de fingir que não te vejo. E tu, mais atencioso, talvez me tires pra dançar.

quarta-feira, dezembro 23

Prosódia

O eco do silêncio reflete no translucido horizonte da gota d'agua, que transborda copo a fora e derrama-se novamente no vácuo contínuo da memória.
Fisionomias lembráticas misturam-se na dança dos vultos apreensivos de uma noite de festa com luzes amarelas ofuscando aqueles olhos, grandes amêndoas castanhas.
Esquecimento repentino proposital, convencional e oportuno: Não sei quem sou.

quinta-feira, novembro 5

Meus olhos

Hoje eu vi que ainda sobram sonhos em meus olhos. Eles estão escondidos, mas bem lá no fundo ainda há um brilho. Querem voar como um passarinho sobrevoa o mar e dá um mergulho razante em busca de um peixinho. Querem abraçar o vento, sentir o toque da música do oceano
e flutuar na fina película hidrogênica da vida. Querem nadar pela imensidão do infinito, sendo uni ou sendo verso, querem cantar bonito. Só para espantar a energia negativa querem dançar um samba na voz da pimentinha. E acima de tudo, querem olhar e olhar para gravar na memória tudo o que há de belo. Querendo ser imortais, na eterna existência para quando chegar a noite dormirem tranquilos sabendo que a vida é tudo isso que há num sonho. Fecham as pupilas e, então, descansam em paz.

quarta-feira, novembro 4

Aquela menina

É estranho olhar para trás e vê que algo lá ficou perdido. Deixei uma parte de mim naquele lugar, como o lado esquerdo na minha válvula mitral. Que meu coração ainda bate, isso é fato. Mas agora ele perdeu a pulsação. Anda meio descompassado, desritmado.
Olhando um albúm antigo, guardado na minha memória, eu vi algumas cenas que antes quis esquecer. Eram de abraços, beijos e sorrisos, eram de mãos dadas, caminhando na praia, eram de duas pessoas olhando o mesmo horizonte, eram de planos e sonhos que ficaram para trás.
Isso tudo um dia fez parte de mim, foi algo dado de corpo e alma e sem nenhuma maldade. E sinto que isso tudo foi morrendo aos poucos, foi-se apagando como estrelas ao amanhecer.
Mas tenho muitas saudades daquela pessoa, que via o mundo com os olhos de criança que dorme sossegada sob a noite enluarada. Tenho saudades daquele brilho dos mais utópicos sonhos que a tornavam tão leve. E dessa leveza, de flutuar nas águas do mar turvo da vida. Sinto muita falta dela que foi embora sem deixar recado. E que agora só pode ser encontrada nas mais longinquas lembranças. Aquela menina que me fez feliz um dia, se foi para me deixar viver assim como sou. E hoje vejo o quanto mudei, mas ainda sinto falta.